Período: 08, 09 e 10 de novembro de 2011
Local: Viçosa, MG.
Informações e inscrições: http://www.literaturaufv.com.br/
Temas para apresentação de trabalhos:
- Literatura e outros campos de conhecimento;
- Estudos de Literatura Comparada e de Crítica da Cultura;
- Literatura e Estudos de Gênero;
- Leitura e ensino de literatura;
- Literatura, Memória e História;
- O imaginário mítico;
- O Pós-colonialismo na Literatura;
- Margens e fronteiras do literário.
Conferencistas:
Prof. Dr. Carlos Reis (Universidade de Coimbra)
Profa. Dra. Orna Messer Levin (UNICAMP)
Profa. Dra. Ângela Beatriz Carvalho de Faria (UFRJ)
Profa. Dra. Ivete Walty – (PUC Minas)
Profa. Dra. Márcia Marques Morais (PUC Minas)
Profa. Dra. Lyslei Nascimento (UFMG)
Prof. Dr. Leonardo Mendes (UERJ)
Profa. Dra. Solange Yokozawa (UFG)
Prof. Dr. José Luiz Foureaux (UFOP)
Prof. Dr. Luis Maffei (UFF)
Promoção:
Universidade Federal de Viçosa
Departamento de Letras
Programa de Pós-Graduação em Letras – Área de Estudos Literários
Telefone: 031 3899-1583
Apoio:
FUNARBE – FUNDAÇÃO ARTUR BERNARDES DA UFV
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE LETRAS - UFV
CAPES
FAPEMIG
Coordenação:
Prof. Gerson Roani – UFV
Prof. Felipe dos Santos Matias – UFV
Prof. Rodrigo Machado – PPGLETRAS-UFV
Prof. Renato Dering – PPGLETRAS-UFV
Espaço de publicação de textos literários de escritoras e, também, da crítica literária feminista.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todas(os) que têm postado no comentário sobre as minhas contribuições à nossa literatura brasileira, seja para adultos ou para crianças e adolescentes.Este feedback é importante, pois serve de bússula às blogueiras com pouco traquejo neste caminho, como eu.
Estou sempre aprendendo.
Obrigada!
E-mail: pequenas feministas
Pequena feminista,
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| respondendo ao e-mail |
Sei que na sua idade é difícil entender algumas práticas sociais enraizadas na nossa cultura, principalmente porque, apesar de todo acesso informativo promovido pela internet, os textos são fragmentados e muitas vezes não trazem uma relação entre o presente e o passado. Você me disse que não gosta da disciplina História em seu Colégio, mas procure enxergar os efeitos de hoje como decorrentes de causas provocadas pelas pessoas em épocas e lugares anteriores.
Quando você me pergunta sobre as razões de algumas mulheres ficarem sempre com as tarefas domésticas, mesmo trabalhando fora, isso me conduz à história. Veja como ela é importante. Quando a indústria começou a se desenvolver e precisava de pessoas para executar as atividades salariadas, houve então a divisão sexual do trabalho. A revolução que aconteceu no século XIX, quer dizer aquela ocorrida entre os anos de 1801 e 1900 (sua professora deve ter falado disso), na Europa, mudou muita coisa na vida das pessoas e a mudança mais radical foi a divisão sexual do trabalho: as mulheres foram incentivadas para o trabalho da casa, não-remunerado, e o homem para o trabalho na rua, este remunerado. Esta configuração já coloca uma ideologia de arranjo conjugal baseada na reprodução (casal de sexos diferentes unidos pela lei humana e divina) que teria o nome de família nucelar ou burguesa. Não precisa dizer que o conhecimento, as leis sempre foram dominadas pelos homens, então eles as escreveram com base nos interesses deles.
Na verdade, a mulher, na condição de esposa, não era uma inativa, ela era uma peça na engrenagem da indústria, porém não recebia salário, mas, sim, o marido. A indústria pagava ao marido pela atividade laboral e o marido “pagava” à mulher com o provimento domiciliar (nunca com dinheiro),. Desta forma incluía a esposa como trabalhadora indireta da indústria – porque ela tinha que dar condições para o marido voltar ao trabalho no dia seguinte, alimentado e fortalecido para que a sua energia fosse transformada em lucro para a indústria. Desta forma, a esposa participa da lógica do sistema de exploração capitalista e é duplamente ludibriada: pelo empresário e pelo marido (este de forma inconsciente, às vezes). Logicamente que algumas tentaram tirar proveito da situação, desenvolvendo estratégias de risco que poderiam lhe causar a execração pública. A grande maioria se resignava e posavam de rainhas em um reino que nunca foi seu, mesmo o da casa (a sua autoridade vai até um limite permitido, depois disso ela é lembrada que é mantida, sustentada pelo marido).
Apesar da distância no tempo e no espaço, esse modelo cruzou mares e foi bastante difundido pelos romances, revistas, discursos pedagógicos (escola e religião) tornando essa realidade natural, inquestionável, sendo exposta definitivamente por mulheres que percebiam a manobra, como: Virginia Woolf, Jane Austen, Simone de Beauvoir, Betty Friedan, Margareth Mead, Kate Millet, entre outras, todas do século XX. Há também as excelentes discussões de Olympe de Gouges que no século XVIII questionou a política androcêntrica da revolução francesa e, por isso, foi guilhotinada.
Assim, as mulheres de hoje, mesmo com todas as mudanças sociais, repetem modelos seculares, com poucas variações. A diferença é que hoje ela tem o teto e o dinheiro (Woolf dizia que uma mulher para se emancipar deveria ter um teto e 500 libras, ou seja, propriedade e uma profissão), mas porque então elas se colocam em posição tão humilhante diante do homem? Por que aceitam que gritem com elas? Que lhes imponham as suas vontades mesmo que estas as violentem? Por que elas confundem valorização com desvalorização?
Como vê, a sua pergunta é a pergunta que muitas mulheres adultas que estudam a vida das mulheres se fazem.
Na sua opinião, o que faz a mulher agir desse jeito?
Ah, mudei de e-mail. Escreva para: ltleiro@gmail.com ou, se quiser, pode postar no comentário a sua resposta, aqui mesmo no blog.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
NUNCA DESCUIDANDO DO DEVER, Marina Colasanti
Jamais permitiria que seu marido fosse para o trabalho com a roupa mal passada, não dissessem os colegas que era esposa descuidada. Debruçada sobre a tábua com olho vigilante, dava caça às dobras, desfazia pregas, aplainando punhos e peitos, afiando o vinco das calças. E a poder de ferro e goma, envolta em vapores, alcançava o ponto máximo da sua arte ao arrancar dos colarinhos liso brilho de celulóide.
Impecável, transitava o marido pelo tempo. Que, embora respeitando ternos e camisa, começou sub-repticiamente a marcar seu avanço na pele do rosto. Um dia notou a mulher um leve afrouxar-se das pálpebras. Semanas depois percebeu que, no sorriso, franziam-se fundos os cantos dos olhos.
Mas foi só muitos meses mais tarde que a presença de duas fortes pregas descendo dos lados do nariz até a boca tornou-se inegável. Sem nada a dizer, ela esperou a noite. Tendo finalmente certeza de que o homem dormia o mais peado dos sonos., pegou um paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.
Marina Colasanti, In.; Contos de Amor Rasgados, 1986)
CASO ANTIGO , Helena Parente Cunha
Quando o conheceu, ela tinha vinte anos. Romancista, de renome se fazendo, ele se tornou para ela o sonho realizado em se realizará. Eles se encontravam uma a duas vezes por semana. Paixão, ela reverberava. Fosforescências. Ele dizia claramente, não queria se casar, não queria se juntar. Não gostava de iludir. Cada qual em dividido para se somarem no mais e no tudo. Assim ele dizia. Assim ele queria. Assim ela assentia. Na esperança de esperar, assim ela esperava. Um dia, quem sabe? Eles casariam. Os encontros semanais. Resplandecência. Durante vinte anos ela viveu feliz, à espera do que esperava. Consonâncias , as ressonâncias. Uma vez, como tantas vezes, ele viajou. Desta vez, por duas semanas. Como tantas vezes, ele não escreveu. Ao contrário do que fazia outras vezes, quando ele voltou não telefonou. E não atendeu quando ela ligou. Dissonâncias? Reacreditada, ela se esperou. Palidescências. De manhã, debaixo da porta dela, um envelope com a letra dele. um bilhete. Obscurescência. Estava tudo acabado. Ele acabava de se casar.
(Helena Parente Cunha, Cem Mentiras de Verdade, 1985.)
Esse conto de Helena Parente Cunha pode ser visto dentro de uma tradição literária latino-americana do gênero microconto cuja escrita sintética, sugestiva e poética abre possibilidades para maior reescritura da leitora (ou leitor), devido a sua alta carga evocativa. O conto acima, por fazer parte de uma produção datada dos anos 80, faz referências ao androcentrismo presente nas relações de gênero ao focalizar o poder do homem sobre a mulher, transformando-a, quando jovem, em uma pessoa ingênua, sem malícia e quando madura em uma mulher que, embora tenha perdido a ingenuidade inicial, precisa acreditar ou até mesmo apostar em suas escolhas. No entanto, essa "escolha" é diretiva, já que a sociedade patriarcal, com as suas instituições representativas e seu discurso, aprisiona a mulher dentro de uma cela de preceitos morais que dificilmente consegue escapar. A escrita das mulheres da geração de 60, em razão desse momento de ruptura com uma ordem altamente hierárquica, tendem a denunciar e problematizar as situações sociais contraditórias geradas pelo pater potestas.
No conto, observa-se que a função do homem é a de escritor, apontando para um traço importante do convencimento: o discurso, a linguagem metafórica, tão ao gosto dos romances, o jogo com as palavras, a manipulação das simbologias e, sobretudo, as camadas implícitas do dizer. Ela, com vinte anos, envolvida pelo código do amor romântico, com os seus mitologemas, incapaz de entender a linguagem do outro (porque não fora educada para isso) sucumbe às promessas, uma arma poderosa para manter a esperança no outro e, consequentemente, o poder sobre ele.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Pagu - Ordem do Mérito Cultural
O Ministério da Cultura informa que está aberto o prazo para a inscrição das propostas de indicação à Ordem do Mérito Cultural para o ano de 2011. O tema central da celebração desta edição será Pagu- Sonho-Luta-Paixão em homenagem a Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, escritora e jornalista brasileira que teve grande destaque no movimento modernista iniciado em 1922.
Criada em 1995, pelo Ministério da Cultura, a Ordem do Mérito Cultural é o reconhecimento do Governo Federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram por suas contribuições à Cultura brasileira.
(...)
As indicações podem ser enviadas para o site do Ministério da Cultura até o dia 22 de julho, mediante o preenchimento do formulário específico disponível no endereço eletrônico do MinC , ou pelos Correios, após download do documento ser preenchido e encaminhado para o seguinte endereço:
Ordem do Mérito Cultural 2011
Ministério da Cultura
Assessoria de Comunicação Social
Esplanada dos Ministérios, Bloco B, 4º andar
CEP 70068-900 Brasília – Distrito FederalDúvidas e informações:
E-mail: omc2011@cultura.gov.br
Tels.: (61) 2024- 2406, com Eliane Rodrigues
Texto trascrito e adaptado do site: http://www.cultura.ba.gov.br/2011/06/28/minc-ja-esta-recebendo-indicacoes-para-o-premio-que-homenageara-este-ano-a-escritora-pagu/
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